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Os Sete Samurais

Filme · 1954

Os Sete Samurais

Seven Samurai

99 curiosidades

Os Sete Samurais: 99 curiosidades que você não sabia

  1. Akira Kurosawa não se dava bem com Yoshio Inaba (Gorobei) e passou a maior parte das filmagens o menosprezando e gritando com ele. Embora Inaba tenha feito uma ponta em Trono Manchado de Sangue (1957), de Kurosawa, aparentemente achou a experiência tão estressante que limitou seus trabalhos no cinema depois disso.

  2. Foi o primeiro filme de samurai de Akira Kurosawa desde Rashomon (1950).

  3. As filmagens precisaram ser interrompidas várias vezes por falta de cavalos para as sequências finais de batalha.

  4. O filme integra o Top 250 oficial de longas de ficção do Letterboxd.

  5. Foi o primeiro filme em que Akira Kurosawa usou várias câmeras, para não interromper o fluxo das cenas e poder montar o filme como quisesse na pós-produção. Ele repetiu o esquema de múltiplas câmeras em todos os filmes seguintes.

  6. O jogo Ghost of Tsushima, de 2020, se inspira neste filme, entre outras obras de Kurosawa.

  7. Pouco antes do início das filmagens da sequência de batalha, caiu muita neve, e a equipe teve de molhar o set para derretê-la. Isso, somado ao plano do roteiro de filmar a sequência sob uma tempestade torrencial, fez o elenco trabalhar em lama profunda e grossa. Como era pleno inverno, a lama muitas vezes congelava, e o elenco, com sandálias fiéis à época, ficava congelando enquanto tentava executar a ação. O próprio Akira Kurosawa, que ficava na lama com os atores, aparentemente passou tanto frio que começou a perder as unhas dos pés.

  8. Além de ser o favorito de Toshirō Mifune entre seus próprios filmes, ele elegeu Kikuchiyo como seu papel preferido, porque pôde "ser ele mesmo".

  9. Kikuchiyo pegar um peixe com as próprias mãos num riacho foi algo que o próprio Kurosawa fez na juventude.

  10. Uma das legendas do filme diz "sheeyit!".

  11. É o filme em língua não inglesa mais bem avaliado no Internet Movie Database, ocupando o 23º lugar no Top 250 em março de 2026.

  12. Está entre os 10 filmes favoritos do diretor soviético Andrei Tarkovsky.

  13. Depois de meses de pesquisa, todos os sete personagens principais do filme acabaram baseados em samurais históricos.

  14. Segundo Shinobu Hashimoto, o filme originalmente começava com os mesmos bandidos atacando outra vila, e a tomada de abertura final era o que acontecia depois desse ataque. Akira Kurosawa decidiu cortar a sequência do ataque, acreditando que um começo "discreto" era a melhor forma de abrir o filme.

  15. Uma refilmagem deste filme foi feita em 2008, mas com distribuição limitada ao Japão e, supostamente, só podia ser vista em máquinas de fliperama.

  16. A ideia original de Akira Kurosawa para o filme era mostrar um dia na vida de um samurai, começando com ele saindo da cama, tomando café da manhã, indo ao castelo de seu senhor e terminando com ele cometendo algum erro que o obrigava a voltar para casa e se matar para salvar a honra. Apesar de muita pesquisa, ele não sentiu que tinha informação factual sólida o bastante para fazer o filme. Então apresentou a ideia de um filme que cobriria uma série de cinco batalhas de samurais, baseado na vida de famosos espadachins japoneses. Hashimoto saiu para escrever esse roteiro, mas Kurosawa acabou descartando essa ideia também, temendo que um filme que fosse apenas "uma série de clímaxes" não funcionaria. Foi quando o produtor Sōjirō Motoki descobriu, por meio de pesquisa histórica, que samurais do período "dos Estados Combatentes" da história japonesa muitas vezes se ofereciam para montar guarda em vilas camponesas durante a noite em troca de comida e abrigo. Kurosawa então encontrou uma anedota sobre uma vila que contrata samurais para protegê-la e decidiu usar essa ideia. Kurosawa escreveu um dossiê completo para cada personagem com falas. Nele havia detalhes sobre o que vestiam, suas comidas favoritas, seu histórico, seus hábitos de fala, sua reação à batalha e qualquer outro detalhe que ele pudesse imaginar sobre eles. Nenhum outro diretor japonês havia feito isso antes.

  17. Haruo Nakajima, mais conhecido por interpretar o monstro-título de Godzilla (1954) até 1972, faz uma breve aparição como um batedor bandido morto rapidamente por Kyuzo.

  18. O filme costuma ser descrito como o melhor filme japonês de todos os tempos, inclusive pelo renomado historiador de cinema japonês Donald Richie e pela "Entertainment Weekly", em sua lista dos 100 Maiores Filmes de Todos os Tempos. Curiosamente, apesar da enorme popularidade comercial, ele não era particularmente bem visto pela crítica japonesa na época do lançamento (o início dos anos 1950 hoje é considerado uma espécie de Era de Ouro do cinema japonês).

  19. Takashi Shimura seria descendente de samurais.

  20. Nas últimas décadas, Era uma Vez em Tóquio (1953), de Yasujirō Ozu, e este filme aparecem consistentemente como os dois maiores filmes japoneses de todos os tempos tanto em listas japonesas quanto estrangeiras. No entanto, os dois mestres tinham estilos e abordagens radicalmente diferentes, trabalhavam (em grande parte) em estúdios diferentes e, portanto, com equipes diferentes. De fato, a única pessoa ligada aos dois filmes é o prolífico ator coadjuvante Eijirō Tōno, que interpretou Numata, um companheiro de bebida do protagonista idoso, em Era uma Vez em Tóquio, e o sequestrador desesperado que Kambei enfrenta neste filme.

  21. Os ancestrais de Akira Kurosawa eram samurais, aproximadamente até 100 anos antes de ele fazer este filme.

  22. Akira Kurosawa logo ganhou da equipe a reputação de "maior montador do mundo" por seu hábito de montar o filme tarde da noite durante as filmagens. Ele descrevia isso como uma necessidade prática incompreensível para a maioria dos diretores, que em grandes produções passam pelo menos vários meses com seus montadores montando e cortando o filme depois de concluídas as filmagens.

  23. Quando as filmagens estavam chegando ao fim, o ator Yoshio Tsuchiya frequentemente saía do set para observar a produção do Godzilla original (1954). Ele queria estrelar aquele filme também, mas não pôde por causa de seu compromisso com este. Ele acabaria aparecendo nas várias sequências enquanto continuava seu trabalho com Kurosawa. O próprio Kurosawa visitaria o set de Godzilla depois que as filmagens de Os Sete Samurais terminaram, já que era amigo do diretor.

  24. Fumio Hayasaka compôs várias peças para o filme, mas, quando as tocou para Akira Kurosawa, o diretor as rejeitou. Desesperado por algo que agradasse ao cineasta, Hayasaka decidiu tocar uma peça que havia composto e depois descartado. Kurosawa gostou, e ela acabou se tornando o "Samurai Theme", a música mais famosa do filme.

  25. Com 207 minutos, este seria o filme mais longo da carreira de Akira Kurosawa.

  26. O primeiro rascunho, escrito por Shinobu Hashimoto, foi feito "livremente", como Akira Kurosawa instruiu, e acabou com 500 páginas.

  27. Seiji Miyaguchi, que interpretou o taciturno samurai Kyuzo, nunca tinha tocado numa espada antes deste filme. Montagem e fotografia cuidadosa foram usadas para dar a impressão de que ele era um mestre.

  28. Como se revela ao examinar a árvore genealógica, este filme se passa durante o período Sengoku. Foi pouco antes de se tornar ilegal que a classe camponesa possuísse armas, com a classe samurai autorizada a portar duas espadas. Foi também o período em que Toyotomi Hideyoshi era o governante do Japão (conhecido como o "segundo unificador", que pôs fim às brigas entre senhores) e respondeu à crescente influência dos missionários ocidentais com um esforço, no fim ineficaz, de bani-los do Japão. Como as pequenas guerras entre os senhores da guerra tinham acabado, muitos samurais perderam seus postos, e muitos se tornaram ronin/mercenários, a mais baixa classe de samurai. Para os fins desta história, vemos uma variedade de samurais, do oportunista mais baixo ao asceta puro. Como diz Shimada, sua queda se deveu ao fato de ter estado no lado perdedor de uma guerra.

  29. Akira Kurosawa se recusou a filmar a vila camponesa nos estúdios Toho e mandou construir um cenário completo em Tagata, na península de Izu, em Shizuoka. Embora o estúdio tenha protestado contra o aumento dos custos de produção, Kurosawa foi categórico: "a qualidade do cenário influencia a qualidade da atuação dos atores... Por isso, faço os cenários exatamente como a coisa real. Isso limita a filmagem, mas estimula a sensação de autenticidade".

  30. O filme faz parte da Criterion Collection, com o número 2.

  31. Segundo Yoshio Tsuchiya, para a cena em que os samurais e os aldeões incendeiam o esconderijo dos bandidos, a produção precisava ter um caminhão de bombeiros de prontidão no set em caso de emergência, mas todos os caminhões de bombeiros da região passaram o dia combatendo incêndios reais. Então a equipe simplesmente teve que esperar um caminhão chegar. Enquanto isso, Akira Kurosawa e sua equipe borrifaram gasolina em várias partes do cenário da fortaleza, para garantir que ela queimasse por completo. Na hora de filmar a sequência, o fogo começou muito mais rápido e queimou muito mais forte do que o esperado, mas o elenco ainda teve que se esforçar para fazer tudo em um único take. Enquanto Kurosawa gritava "Continue!" fora de câmera, Tsuchiya precisou se aproximar da porta da fortaleza para tentar salvar a esposa de seu personagem. Ao fazer isso, o teto desabou, e a onda de ar quente queimou gravemente sua traqueia. Tsuchiya também contou que, ao fim das filmagens, o fogo tinha ficado tão intenso que queimou o capim nos penhascos acima do set. Kurosawa aparentemente ficou tão estressado com o episódio que chorou enquanto os bombeiros apagavam o incêndio.

  32. Toshirō Mifune teria assistido a filmes de leões na natureza em busca de inspiração para seu personagem.

  33. Quando pediram que descrevesse o tipo de filme que havia feito, Akira Kurosawa respondeu: "Um filme tão rico quanto um bife na manteiga coberto com enguia grelhada."

  34. O arco e flecha visto no filme é o kyudo, e usa um arco e uma técnica muito diferentes dos arqueiros ocidentais.

  35. Seiji Miyaguchi queria recusar o papel de Kyuzo, porque nunca tinha feito nenhuma luta de espadas no cinema. Akira Kurosawa o convenceu de que daria jeito nas cenas de espada com ângulos de câmera e edição, e Miyaguchi acabou aceitando o papel. Pouco antes das filmagens, ele fez um "curso intensivo" de dois dias de esgrima, e no fim estava tão exausto que mal conseguia se mexer quando as gravações realmente começaram.

  36. Conforme a produção se arrastava, os produtores ficaram preocupados que Akira Kurosawa estivesse gastando demais no filme. Por isso, a produção foi paralisada "pelo menos duas vezes". Em vez de discutir, Kurosawa simplesmente saiu para pescar, acreditando que o estúdio já tinha investido tanto dinheiro no filme que não iria simplesmente descartá-lo. Ele estava certo.

  37. A cena final de batalha do filme, originalmente prevista para ser rodada no fim do verão, foi filmada em fevereiro, com temperaturas quase congelantes. Toshirō Mifune recordou depois que nunca sentiu tanto frio na vida.

  38. Kikuchiyo e Shino são os únicos personagens do filme a terem temas musicais próprios.

  39. Em várias cenas, especialmente na batalha climática, Akira Kurosawa sabia que havia momentos de ação que só poderia capturar uma vez. Então, para maximizar a cobertura da ação, ele posicionou três câmeras diferentes em pontos variados do cenário da vila e depois montou o material para criar uma sequência dinâmica de acontecimentos. Isso, combinado com lentes teleobjetivas que permitiam às câmeras dar zoom na ação, criou um estilo de filmagem revolucionário que Kurosawa continuou usando ao longo de toda a carreira.

  40. Escolhido por críticos japoneses para a Kinema Junpo como um dos maiores filmes japoneses de todos os tempos.

  41. O filme acabou estourando o orçamento em mais de quatro vezes, com a produção se estendendo por 148 dias de filmagem.

  42. Em 1989, foi eleito o melhor filme japonês de todos os tempos em uma pesquisa com 372 celebridades para um livro publicado pela Bungeishunju. No ano seguinte, foi novamente eleito o melhor filme japonês de todos os tempos em uma pesquisa com cerca de um milhão de pessoas organizada pela NHK.

  43. O Toho Studios originalmente cortou 50 minutos do filme ao exibi-lo para distribuidores americanos, por medo de que nenhuma plateia americana topasse assistir ao filme inteiro.

  44. Foi o terceiro filme de maior bilheteria no Japão em 1954.

  45. O entusiasmo barulhento da cena do corte de lenha inspirou John Belushi em seu personagem samurai, "Samurai Futaba", no esquete "Samurai Hotel" e em cinco esquetes seguintes no Saturday Night Live (1975).

  46. Muitas vezes creditado como o primeiro filme de ação moderno. Muitos elementos de fotografia e de roteiro hoje comuns — como a câmera lenta para dar dramaticidade e o herói relutante, para citar dois — aparecem talvez pela primeira vez. Outros filmes podem tê-los usado separadamente antes, mas Akira Kurosawa reuniu todos.

  47. Toshirō Mifune permanecia no personagem o tempo todo em que estava no set, e até improvisava várias tiradas cômicas para seu personagem.

  48. Embora o filme costuma ser chamado de "Os Sete Samurais", em algumas ocasiões é chamado de O Sete Samurais, com o acréscimo do "o" em alguns materiais que se referem ao filme.

  49. Surpreendentemente, o filme foi recebido com desdém no Japão natal de Akira Kurosawa, principalmente porque os críticos locais achavam que o filme tinha influência ocidental demais. Kurosawa admitiu que uma de suas principais influências era a obra de John Ford.

  50. A Toho interrompeu o projeto várias vezes quando o orçamento estourou, obrigando Akira Kurosawa a voltar e argumentar pessoalmente com o conselho de administração, que estava convencido de que a Toho estava produzindo um fracasso.

  51. O filme favorito do cineasta e criador de Star Wars George Lucas. Um episódio de Star Wars: A Guerra dos Clones (2008), Bounty Hunters (2010), foi até baseado neste filme e dedicado a Kurosawa. Um personagem alienígena apresentado no episódio, Embo, teve sua espécie batizada de Kyuzo, em homenagem ao mestre espadachim do filme vivido por Seiji Miyaguchi.

  52. No início do processo de escrita, seis dos samurais foram concebidos, todos vagamente baseados em figuras históricas. Kyuzo, por exemplo, foi inspirado em Miyamoto Musashi, um dos samurais mais famosos de todos os tempos. Originalmente, Toshirō Mifune interpretaria Kyuzo, o mestre espadachim extremamente estoico. No entanto, Akira Kurosawa e seus roteiristas parceiros decidiram que precisavam de um personagem com quem o público pudesse se identificar mais e que não fosse um samurai de fato, e assim criaram Kikuchiyo. Como Kikuchiyo não tinha base histórica, Mifune pôde improvisar como nunca antes em um filme de Kurosawa.

  53. "Kikuchiyo" rouba seu nome de um pergaminho que traça a linhagem de uma família. Ele vira motivo de piada quando, aparentemente analfabeto, é flagrado tendo pegado o nome de uma menina de 13 anos. Mais tarde, quando perguntam seu nome verdadeiro, os outros samurais riem e dizem que Kikuchiyo é um nome apropriado. Kikuchiyo reage com vergonha. O nome Kikuchiyo significa basicamente "crisântemo de mil anos"; um nome que poderia ser dado a uma menina que ainda não atingiu a idade da maturidade. A selvageria e a imaturidade de Kikuchiyo são vistas como infantis, daí a ofensa bem-humorada.

  54. O filme faz parte da lista "Great Movies" de Roger Ebert.

  55. O filme favorito de George Lucas.

  56. Quando estreou, era o filme japonês mais caro já feito.

  57. Para a cena em que o moinho de Gisaku é incendiado pelos bandidos, a equipe inicialmente cobriu o moinho com tecido para atear fogo sem queimar a estrutura inteira, na teoria de que assim poderiam continuar filmando no local sem destruir o moinho. No fim, segundo o diretor de arte assistente Yoshirô Muraki, isso deixou o cenário "encharcado" e as tomadas seguintes só produziam fumaça, não fogo. No final, o moinho foi reconstruído e incendiado três vezes para conseguir todo o material de que Akira Kurosawa precisava.

  58. O personagem vivido por Toshirō Mifune não tem nome, e ganha o de Kikuchiyo dos companheiros. Em Yojimbo, o Guarda-Costas (1961) (também dirigido por Akira Kurosawa), seu personagem não tem nome (o que ele dá aos bandidos é falso).

  59. Muitos dos samurais aparecem carregando duas espadas. Essa prática era conhecida como daisho e significa literalmente "grande-pequeno". A lâmina grande era a katana curva, geralmente usada em duelos e combates. Já a espada curta era a wakizashi, tradicionalmente associada à prática do seppuku. Essa técnica das duas espadas é mais fortemente associada ao lendário samurai Miyamoto Musashi (1584 - 1645), que inspirou o personagem Kyozo.

  60. Um mito frequentemente repetido é que a produção deste filme e a de Godzilla (1954) quase levaram a Toho à falência. Esse mito omite um terceiro filme da Toho feito naquele ano, O Samurai Dominante 1: Musashi Miyamoto (1954). Os três filmes eram os mais caros já feitos no Japão até então e foram grandes riscos financeiros para a Toho. Porém, há poucas evidências de que a Toho como empresa tenha corrido risco de falência. O estúdio lançou 68 longas naquele ano, e os mais bem-sucedidos foram, respectivamente, Os Sete Samurais, O Samurai Dominante 1 e Godzilla. Independentemente do risco, a Toho se firmaria como líder da indústria do cinema japonês.

  61. A Kinema Junpo, a mais antiga e respeitada revista de cinema do Japão, o classificou como o segundo melhor filme japonês de todos os tempos, atrás de Tokyo Story.

  62. Segundo Toshirō Mifune, o filme originalmente ia se chamar "Six Samurai".

  63. Foi escolhido pela revista "Premiere" como um dos "100 Filmes Que Abalaram o Mundo" na edição de outubro de 1998. A lista classificava os "filmes mais ousados já feitos".

  64. As filmagens duraram quase um ano e foram inteiramente em locação.

  65. A espada carregada por Kikuchiyo (Toshiro Mifune) é notavelmente uma katana maior. Esse tipo de espada samurai é conhecido como odachi.

  66. Lindsay Anderson comparou a cena em que Kikuchiyo treina os aldeões com Falstaff instruindo as tropas em "Henrique IV", de William Shakespeare.

  67. Kikuchiyo é um nome feminino formado por duas partes, como Betty Sue nos Estados Unidos. É por isso que os samurais riem tanto do nome. Obviamente o personagem de Toshirō Mifune é analfabeto, e é uma sutileza enorme que os outros samurais escolham implicar com a idade dele e não com o fato de ter escolhido um nome de menina! Kiku significa "crisântemo" e Chiyo, "1000 gerações". Na verdade, esta é uma das várias ocasiões em que o personagem de Mifune num filme de Kurosawa tem um nome composto por uma planta e um número de anos.

  68. O nome do personagem de Seiji Miyaguchi (Kyuzo) só é mencionado quase no finalzinho do filme. Por duas horas e 50 minutos, seu personagem fica sem nome.

  69. Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni escreveram o roteiro final ao longo de 45 dias, sem atender telefonemas nem receber visitas, com poucas exceções. A escrita constante cobrou seu preço do corpo dos três, e a doença campeava no Japão do pós-guerra; em determinado momento, Kurosawa foi parar no hospital com lombrigas.

  70. A coreografia foi de Yoshio Sugino. No início, Junzo Sasamori trabalhava junto com Sugino, mas foi convocado pelo Ministério da Educação para dar aulas na Europa durante a produção.

  71. Akira Kurosawa criou um registro de todos os 101 moradores da vila, montando uma árvore genealógica para ajudar os figurantes a construir seus personagens e as relações entre eles.

  72. Está incluído entre os "1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer", organizado por Steven Schneider.

  73. O filme se passa em 1586. Descobrimos na cena do pergaminho que o Kikuchiyo real nasceu no segundo ano da era Tensho (1574) e agora tem 13 anos. Diferente do Ocidente, a convenção japonesa considerava a criança com um ano de idade ao nascer ("ano um" em vez de um ano de vida).

  74. Um dos samurais que aparece caminhando pela cidade. Essa ponta não creditada é a segunda aparição conhecida no cinema de Nakadai, ator frequente de Akira Kurosawa, que logo se tornaria um dos mais talentosos atores do Japão. Sua carreira ativa continua mais de 50 anos depois deste filme.

  75. Em termos de gênero, o filme pode ser classificado tanto como jidaigeki (drama de época) quanto como chanbara (filme de luta de espadas).

  76. Há um intervalo de 5 minutos na marca de 1 hora e 45 minutos do filme. Durante esse intervalo, a tela escurece e a trilha sonora do filme toca ao fundo.

  77. Akira Kurosawa declarou que queria "fazer um filme que fosse gostoso de comer".

  78. O gênero western deve muito aos filmes de Kurosawa. Este filme inspirou 'Sete Homens e um Destino' (1960), enquanto 'Yojimbo, o Guarda-Costas' (1961), de Kurosawa, inspirou 'Por Um Punhado de Dólares' (1964), de Sergio Leone.

  79. Quando Katsushiro conhece Shino, ela diz a ele que é um menino (apenas acenando com a cabeça, sem deixar a voz ser ouvida) e, na confusão que se segue, ele acidentalmente toca os seios dela. Só então percebe que é de fato uma menina e recua. Entre os visuais grandiosos e os méritos cinematográficos de Os Sete Samurais, essa cena raramente é mencionada, se é que é. No entanto, talvez seja mais revolucionária que qualquer outra. O filme é de 1954, e um homem de fato tocar os seios de uma mulher em cena, em Hollywood ou no cinema japonês, era impensável (mesmo que o roteiro fizesse isso acontecer por acidente). Era uma época em que até as cenas de quarto muitas vezes traziam duas camas separadas em vez de uma única cama de casal grande, para não mostrar nem um leve lembrete de que as pessoas realmente dormem juntas.

  80. Takashi Shimura foi a primeira e única escolha de Akira Kurosawa para interpretar Kambei.

  81. O ator Jeff Goldblum citou este filme como um de seus filmes de ação favoritos numa entrevista com Stephen Colbert em 4 de dezembro de 2021.

  82. Na versão em DVD, o filme é dividido em duas partes, enquanto no Blu-ray ele vem inteiro.

  83. É o filme favorito de Tim Allen.

  84. Filmes como Sete Homens e um Destino, Vida de Inseto e O Senhor dos Anéis: As Duas Torres são baseados neste filme.

  85. Foi o último filme do ator Sojin Kamiyama, que morreu em 28 de julho de 1954, apenas 4 meses após o lançamento do filme.

  86. Foi eleito o 12º maior filme de todos os tempos pela "Entertainment Weekly", sendo um dos dois filmes da lista dos 20 maiores da revista que não são em inglês. A Doce Vida (1960), de Federico Fellini, está em 6º lugar.

  87. Muitas cenas do filme têm chuva para acompanhar a atmosfera tensa da situação, mais famosamente a cena da batalha final.

  88. Há referências ao fato de os camponeses serem tão pobres que comem milheto em vez de arroz. Gorobei diz que era tão ruim que ele mal conseguia engolir. O milheto costuma ser preparado moendo-o, fermentando-o para quebrá-lo e depois fervendo-o até virar um pão grudento e acastanhado. O cheiro e o sabor são, na melhor das hipóteses, um gosto adquirido. É um alimento básico em vários lugares empobrecidos do mundo, incluindo algumas áreas rurais da África equatorial e arredores.

  89. Ficou em 1º lugar entre os filmes que não são em inglês na enquete de críticos realizada pela BBC em 2018.

  90. O personagem Kyuzo foi baseado no mestre do século 16 Miyamoto Musashi, que lutou e venceu 61 duelos, sem nenhuma derrota, superando o detentor do recorde mais próximo em 28 vitórias. A luta entre Kyuzo e o desafiante lembra o primeiro duelo de Musashi, que foi contra um fanfarrão sem técnica que achava que poderia construir reputação assustando os desafiantes. Musashi o derrubou com um único golpe. Em seu duelo mais famoso, Musashi matou o oponente com um único movimento — um golpe de espada na cabeça — enquanto, ao mesmo tempo, teve a própria faixa da cabeça cortada por um golpe de raspão, sofrendo apenas o mais leve dos ferimentos. No primeiro close de Kyuzo, é possível ver claramente que ele tem um ferimento perto da têmpora direita, uma referência óbvia ao incidente da faixa de Musashi. Mais tarde, Kyuzo arremessa a espada contra seu atacante. Uma das habilidades especiais de Musashi — que pegava seus oponentes de surpresa total — era sua precisão letal ao arremessar a espada curta.

  91. Graças à liberdade criativa dada pelo estúdio, Akira Kurosawa usou lentes teleobjetivas, raras em 1954.

  92. Para as cenas de amor entre Shino e Katsushiro, Akira Kurosawa queria obter um efeito "cintilante" nos olhos de Shino. Para isso, usou espelhos inclinados no chão para refletir a luz no rosto dela. Por causa das repetições constantes, os olhos de Keiko Tsushima acabaram machucados pela exposição excessiva à luz ofuscante.

  93. Armaduras samurais de verdade foram usadas neste filme.

Curiosidades com spoiler

  1. Mostrar spoiler

    Ironicamente, Yukiko Shimakazi (a esposa de Rikichi) morreu depois de seu marido na ficção, Yoshio Tsuchiya.

  2. Mostrar spoiler

    Os únicos três samurais sobreviventes — Shichiroji, Katsushiro e Kambei — foram os três primeiros atores dos personagens-título a morrer na vida real: Daisuke Katō (Shichiroji) morreu em 1975, Isao Kimura (Katsushiro) em 1981 e Takashi Shimura (Kambei) em 1982. Minoru Chiaki, que interpretou Heihachi, o primeiro samurai morto, foi o último dos atores dos personagens-título a morrer na vida real (1999).

  3. Mostrar spoiler

    O primeiro samurai a morrer é Heihachi (Minoru Chiaki), o sujeito encontrado rachando lenha. O segundo foi Gorobei (Yoshio Inaba), o mais brincalhão e alegre do grupo. O terceiro foi Kyuzo (Seiji Miyaguchi), o quieto e sério. O quarto a morrer foi Kikuchiyo (Toshirō Mifune), o samurai selvagem.

  4. Mostrar spoiler

    Depois que Shichiroji aceita se juntar aos samurais, Kambei, num close, diz a ele: "Este pode ser o que vai nos matar." A imagem então se abre para mostrar Shichiroji, com Katsushiro atrás dele. Kambei, Shichiroji e Katsushiro são os únicos três samurais a sobreviver.

  5. Mostrar spoiler

    Em O Guarda-Costas (1992), Frank Farmer (Kevin Costner) diz que seu filme favorito é Os Sete Samurais. Uma cena-chave de Os Sete Samurais é quando o líder dos bandidos está a cavalo, cercado de inimigos, e avança desesperadamente de um lado para o outro tentando escapar. Isso se reflete no filme de Costner, Dança com Lobos (1990), quando o líder pawnee interpretado por Wes Studi está na mesma situação.

  6. Mostrar spoiler

    Nenhum dos sete samurais é vencido pelos bandidos em lutas de espada, arco ou lança. Todos os quatro samurais que morrem no filme são atingidos por um mosquete. O único dos sete que dispara um mosquete em resposta é Kikuchiyo, que tecnicamente não é samurai e não mata ninguém com o tiro.